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Jeitinho brasileiro, o inimigo da qualidade!

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Explicar para nós, brasileiros, do que se trata o famoso “jeitinho brasileiro”, é chover no molhado! Não precisa! Afinal, somos especialistas nisso! Se você viajar pelo gigantesco mundo da internet, vai ler inúmeros artigos sobre o tema! Muitos autores, articulistas e blogueiros vão dizer que o jeitinho brasileiro é fantástico, faz parte da nossa cultura e nos possibilita solucionar o que não tem solução! Dirão que é a livre manifestação da criatividade!

De fato, eles têm razão! O “jeitinho brasileiro” é a manifestação da criatividade nacional. E está tão arraigado na nossa cultura que utilizamos deste artifício sem ao menos perceber! E é exatamente aí que mora o perigo! O “jeitinho brasileiro” é um verdadeiro sabotador do movimento pela qualidade!

Não há dúvidas de que uma das formas mais eficientes para se conseguir resultados em níveis de excelência é a padronização! Padronizar não significa todo mundo fazer tudo igual o tempo todo, isso se chama robotização, por isso precisamos entender o que é, de fato, a padronização.

Segundo o Professor Vicente Falconi:

Padronizar é reunir as pessoas e discutir o procedimento até encontrar aquele método que for melhor; treinar as pessoas e assegurar-se de que a execução está de acordo com o que foi combinado”.

E é exatamente aí que o “jeitinho brasileiro” acaba por jogar tudo por água abaixo!

Como cada um tem o seu “jeitinho” preferido e próprio de fazer cada coisa, nunca temos um padrão. Este “jeitinho” é desenvolvido por mim, para mim e só eu uso! E pior do que isso, muitas vezes o “jeitinho” preferido de alguém fazer algo é sensacional, muito melhor do que o jeito padronizado, mas ninguém compartilha!

Se existem várias formas de se fazer algo, algumas muito melhores do que o estabelecido e que podem tornar uma determinada atividade ou tarefa mais fácil e com um resultado melhor, então, por que o operador não solicita a revisão do procedimento e compartilha com todos o “jeitinho” melhor? Aposto que você pensou: “Era só falar que estava tudo resolvido!”.

Não solicita a revisão porque não sente que o padrão faz parte dele, da sua rotina e da sua vida! Em geral, os procedimentos são escritos de forma solitária por alguém, como se fosse um livro de memórias ou um diário de adolescente. O responsável por escrever o procedimento passa horas a fio escrevendo, lendo e relendo para que fique claro e límpido, de fácil entendimento, para que todos possam utilizá-lo. Mas escreve tudo sozinho, sem a ajuda de ninguém!

E é por este motivo que existem duas classes distintas dentro das empresas: a dos que escrevem os procedimentos e a dos que DESCUMPREM os procedimentos. E enquanto estas classes existirem haverá muito “jeitinho”, pouca padronização, pouca eficiência. E qualidade então, nem se fala!

Se voltarmos lá na frase do Professor Falconi, perceberemos que a solução do problema já se encontra lá: “padronizar é reunir pessoas e discutir o procedimento”. Quantas vezes você já convidou o operador, ou melhor, ainda, os operadores para discutirem com você se o procedimento é o mais adequado e se é possível ser cumprido no dia a dia?

Integrar os que executam o processo é valorizar os procedimentos, as pessoas e suas opiniões! É valorizar quem faz, e que, com certeza, sabe fazer. É ouvir o ponto de vista de todos e extrair o melhor de cada um deles, construindo um procedimento capaz de trazer segurança, qualidade e eficiência para o processo produtivo! É tornar este procedimento parte deles, da rotina deles e da vida deles! É atingir DIRETAMENTE o público alvo sem chances da mensagem se desviar. É criar comprometimento e dar início a uma cultura da qualidade!

Porque não pedir ajuda para que eles te ajudem a revolucionar os procedimentos da sua empresa? Padronizar o “jeitinho brasileiro”, mais do que nunca, depende de você!

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