Sistemas de gestão

ISO 9001:2015 – 4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão da qualidade (parte 2)

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No meu último post sobre o escopo, abordei um pouco da visão da ISO 9001:2015 sobre a definição do escopo e o que é preciso levar em conta na hora de formalizá-lo. Recebi vários feedbacks nos nossos grupos de discussão, por e-mail e alguns no blog mesmo, foi muito legal!

No texto de hoje, como prometido, pretendo trazer uma visão mais prática sobre o assunto, vou dar alguns exemplos e propor um passo a passo que vai facilitar bastante a sua vida.

Mãos à obra!

Tenha em mente que seu escopo deverá descrever de forma simplificada a sua empresa. Assim, para descrevê-lo, é possível se orientar por algumas perguntas que, por si só, definem quem ela é no mercado. Veja só:

  1. Onde minha empresa está localizada?
  2. Quais os produtos/serviços são vendidos pela minha empresa?
  3. Em qual mercado (local físico) minha empresa atua.
  4. Para quem eu vendo?
  5. Quais os processos do meu SGQ?

Ao responder essas perguntas, você estará formalizando informações importantes sobre o funcionamento do seu SGQ, se orientando e orientando seu Sistema de Gestão da Qualidade para os resultados que você espera. E isso acontece porque esses aspectos tanto afetam seu SGQ quanto são afetados por ele.

Você pode, por exemplo, ser uma empresa situada no Brasil, mas que destina toda a sua produção à exportação. Dessa forma, seus processos serão orientados para tornar possível que essa transação ocorra.

Exemplo prático

Para exemplificar, vou descrever o escopo de uma empresa que produz peças para colheitadeiras agrícolas e pretende expandir sua participação de mercado com a venda de peças para tratores, conforme citei no tópico “Exclusão vs. Aplicabilidade” do post anterior. Vejamos como ficariam as repostas:

1 – Onde minha empresa está localizada?

Cornélio Procópio, Paraná.

Aqui consta o local físico em que minha empresa está sediada. Neste caso, usei a cidade onde residimos como exemplo.

2 – Quais os produtos/serviços são vendidos pela minha empresa?

Fabricamos peças para implementos agrícolas, especificamente para colheitadeiras e tratores.

Aqui descrevi os produtos comercializados pela minha empresa, aquilo que produzimos com o intuito de vender aos nossos clientes.

3 – Em qual mercado (local físico) minha empresa atua.

Região norte do Paraná.

Aqui descrevi qual o mercado em que atuo, ou seja, onde minha empresa vende ou pretende vender.

4 – Para quem eu vendo?

Revendedoras de peças.

Descrevi aqui o tipo de clientes que quero atender, neste caso, pessoas jurídicas.

5 – Quais os processos do meu SGQ?

Produção; Vendas; Marketing; Logística; Gestão de Pessoas; Financeiro.

Descrevi aqui os processos que impactam o SGQ da minha empresa.

Essa e base do nosso escopo. Repare que citamos os fatores internos (quais produtos comercializamos e nossos processos) e levamos em consideração o mercado externo, delimitando onde especificamente atuamos e quem são nossos clientes. Agora é só juntar isso em uma sentença curta, de fácil entendimento. Dessa forma:

A LogicParts S/A (nome fictício) é uma indústria paranaense situada em Cornélio Procópio que fabrica peças de reposição para colheitadeiras e tratores agrícolas para revendas no norte do Paraná.

Os processos do SGQ são: Atendimento ao cliente, Financeiro, Gestão de Pessoas, Logística, Marketing, Produção e Vendas.

Outros exemplos de escopo:

ABC Tecidos localizada em São Paulo capital, produz tecidos para fabricantes de jeans de Minas Gerais.

Os processos do SGQ são: Atendimento ao cliente, Financeiro, Gestão de Pessoas, Logística, Marketing, Produção e Vendas.

A Quitanda Seu João fornece frutas, verduras e legumes orgânicos para consumidores do bairro São João, na cidade de Londrina.

Os processos do SGQ são: Atendimento ao cliente, Compras, Financeiro e Vendas.

A empresa ZYC Limitada projeta monitores de computador sob encomenda para designers gráficos e empresas do Rio de Janeiro, RJ.

Os processos do SGQ são: Atendimento ao cliente, Financeiro, Gestão de Pessoas, Marketing, Projeto e Desenvolvimento, e Vendas.

Não aplicabilidade

No caso de não aplicabilidade, você deverá descrever o item que não se aplica e descrever o motivo pelo qual isso acontece. Para exemplificar, imagine uma gráfica que somente imprime livros para uma grande editora.

Essa gráfica não desenvolve produtos, somente executa os projetos que são enviados a ela e entrega as mercadorias. Nesse caso, o item 8.3 não se aplica a gráfica do exemplo e é possível justificar a não aplicabilidade. Veja como ficaria:

A HDR Ltda. presta serviços de impressão e encadernação para produtores de material didático do estado de Santa Catarina.

Os processos do SGQ são: Atendimento ao cliente, Financeiro, Gestão de Pessoas, Marketing, Projeto e Desenvolvimento, e Vendas.

Não se aplica a HDR Ltda. O item 8.3 da ISO 9001:2015, pois a empresa somente executa impressão e encadernação terceirizada de materiais produzidos por outras empresas, não atuando assim com projeto e desenvolvimento de produto ou serviço.

 

A ISO 9001:2015 promoveu mudanças muito pertinentes da versão 2008 para a 2015 e, com certeza, a forma de definir o escopo foi uma delas. Essa mudança surgiu para garantir que a certificação não seja mais um papel no hall de documentos da empresa, mais um certificado na parede da diretoria. Essa mudança surgiu para garantir que, cada vez mais, as organizações vivam a Qualidade como um todo!

Como os itens “4.1 Entendendo a organização e seu contexto” e “4.2 Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas” são praticamente indissolúveis ao item “4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão da qualidade”, trabalhado neste post, antes de definir o seu escopo, sugiro que você leia o artigo “ISO 9001:2015: Entendendo o Contexto da Organização”.

 

Leia todos os artigos do Blog da Qualidade sobre ISO 9001:2015!

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